"Eu ficaria corada,
se eu pudesse."

O machismo de Siri.

Em novembro de 2019, a UNESCO publicou o relatório "I’d Blush If I Could ", no qual evidencia um problema grave sobre representatividade feminina das assistentes pessoais. Ao dizer para a Siri: "You're a slut" (Você é uma vagabunda), a resposta padrão da assistente é "I’d blush, If I could"  (Eu ficaria corada, se eu pudesse) . Com a Alexa, da Amazon, não é muito diferente, ela responde: "Well, thanks for the feedback" (Obrigada pelo Feedback). Segundo a UNESCO, a maior organização internacional de pesquisa em Educação, Ciência e Cultura, as inteligências artificiais mais usadas no mundo estão ajudando a reforçar o machismo e estereótipos de gênero. 

Entre as diretrizes do documento de mais de 140 páginas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura levantou 6 conselhos fundamentais para governos, empresas e universidades trabalharem pela equidade de gênero das Inteligências Artificiais (AIs):

1. Encerrar a prática de tornar assistentes digitais femininos por padrão;

2. Explorar a viabilidade de desenvolver um "gênero neutro" ou voz não-binária para assistentes de voz.

3. Programar assistentes digitais para desencorajar insultos baseados em gênero e linguagem abusiva;

4.Incentivar a função para trocar o gênero de assistentes digitais, quando estes não forem de gênero neutro.

5. Exigir que as empresas e marcas de inteligências artificiais anunciem que essa tecnologia não é humana e não propagar as assistentes pessoais como se fossem mulheres.

6. Trabalhar pelo empoderamento e desenvolvimento de habilidades técnicas avançadas de mulheres e meninas para que possam orientar a criação de novas tecnologias ao lado dos homens.

Hoje, apenas 12% dos pesquisadores de I.A.s são mulheres. As mulheres representam somente 6% dos desenvolvedores de software e têm 13 vezes menos probabilidade de registrar patentes de tecnologia do que os homens. Fazer uma ponte entre esse abismo entre os privilégios de gênero exige investimento em educação, por parte da industria, universidades e governos, em habilidades digitais que atendam às questões de gênero.

Além do desenvolvimento do relatório a Unesco iniciou a campanha #HeyUpdateMyVoice, no qual encoraja usuários do mundo todo a participarem de uma mudança efetiva na forma como tratamos assistências pessoais.

O relatório  "I’d Blush If I Could  - Closing Gender Divides in Digital Skills Through Education" (Acabando com as Divisões de Gênero do Conhecimento Digital por Meio da Educação) foi tema de mais de 400 artigos em todas as regiões do mundo, incluindo The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), Le Monde (França) ) e El Pais (Espanha).

 

O desenvolvimento da pesquisa sobre a equidade de gênero no meio das Inteligências Artificiais é uma colaboração entre a UNESCO e a EQUALS, uma organização internacional dedicada à promoção do equilíbrio de gênero no setor de tecnologia, defendendo a igualdade de acesso, habilidades e liderança para mulheres e homens. 

Acesse o relatório na íntegra: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000367416.page=1

Este artigo foi realizado coletivamente pelo grupo O SOMOS e faz parte da pesquisa para criação do espetáculo LOOP. Acesse nosso site para mais informações sobre o espetáculo e conhecer outros trabalhos do grupo.

LOOP

Cena Curta / Espetáculo, 15"/30", 2019.

FICHA TÉCNICA:

CONCEPÇÃO, DIREÇÃO e COREOGRAFIA:
Tulio Cassio

CO-CONCEPÇÃO e COREOGRAFIA:

Elisa Righetto

 

PESQUISA:

Rafo Barbosa

BAILARINOS:

Elisa Righetto

Tulio Cassio

LIVE CODING VISUALS e ARTES VISUAIS: 

Sandro Miccoli

Rafo Barbosa

TRILHA SONORA ORIGINAL:
Julio Santa Cecilia (Tv/Av)

MÚSICA:

Tu M’

Mikos da Gawd

Lense-Graphic Motion

Lesley Gore

APOIO:

HIATO ArteMovimenta

Abstracto

Marcela Ferreira